quinta-feira, 8 de abril de 2010

Os presentes da vida

Eu estou bem certa de que em nossa caminhada nesse mundo Deus nos dá muitos presentes. E o mais legal de receber presentes é recebê-los quando eles fazem sentido pra nós. Já pensou se você, um home ou uma mulher, recebesse uma mamadeira de presente? Não ia ser legal, né?! Já se fosse um carro... Todo mundo adoraria.
Pois é...Deus, que sabe de tudo e é perfeito em tudo, sabe bem os presentes que deve dar a cada um em cada momento.
Eu sou um pessoa muito presenteada.E sei que, como todo ser humano, banalizo importantes presentes que Deus me entrega. Mas pela graça dEle, reconheço alguns também.
Alguns dos maiores presentes que uma pessoa pode receber, creio eu, são os amigos. E disso, não posso reclamar!
Há um tempo atrás, Deus, em sua extrema sabedoria, me deu jóias, em sua maioria do sudeste. Aquelas terras sempre foram promissoras e cheias de minérios. Um lugar por lá até se chama Minas Gerais, não é?! Pois então... ganhei muita coisa valiosa daquelas bandas de lá. Ganhei experiências que moldaram meu coração, me dando mais graça, amor e compaixão. Aprendi a ver o outro e a sofrer por ele. Depois esses presentes ficaram meio distantes de mim, guardados em um cofre a que tenho acesso com não muita frequência. Mas mesmo no cofre, continuam valiosos e continuam presentes.
Depois disso, com tanta jóia no cofre, acho que precisava de outras pra usar no dia a dia e não só em ocasiões especiais. Resultado: ganhei presentes que quebraram meus paradigmas. Presentes que me adornam de um modo exótico, mas ainda assim belo. Eles me dizem que nem tudo é como eu penso, que é preciso ousar, questionar, libertar-se do convencional. Faz bem não faz?!
Mais recentemente, Deus, em sua extrema bondade, me concedeu outros presentes: goianos, em sua maioria. Oriental, um. Presentes valiosos de outra forma. Seu valor não está na medida em que agregam graça e compaixão à minha vida, nem no fato de me deixarem exótica, mas sim porque me mostraram que, na verdade, há uma beleza maior em peças simples e discretas.Eu fico bela numa vida simples, mas graciosa. A beleza, afinal, não é resultado de coisas e mais coisas. Ela é resultado de um coração alegre.
Tudo precioso, não? A verdade é que, tendo recebido tantos presentes, muitos inesperados,mas todos maravilhosos, não posso reclamar e me sentir mal amada. Posso, apenas, pedir que eu me faça presente pra muitos, como muitos são pra mim.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Semelhança

Deus disse que nos fez a sua imagem e semelhança. Você acredita nisso? Ele disse também que quer que, a cada dia, nos pareçamos mais com Ele. Acredita nisso também?
Parece que grande parte da população ocidental acredita nisso. Mas a gente sempre pensa que nos assemelhar a Cristo significa sermos bonzinhos como Ele e termos altos padrões morais e de conduta. Acho que isso é certo também.
Hoje, contudo, vejo um outro lado de sermos imagem de Deus e de caminharmos à Sua perfeição. Vejo sermos perfeitos nos amando mais e ligo isso ao sofrimento que, por vezes, temos que sofrer. Parece-me que Ele aproveita nossos sofrimentos para lembrar-nos de quanto Ele sofreu e sofre por nós, já que nos ama. Assim, nos tornamos mais iguais a Deus, mais semelhantes.
Essas últimas semanas, confesso, têm sido de constante sofrimento por aqueles que amo. Sofro porque uns não arrumam emprego, porque outros não acham contentamento. Sofro por aqueles que são zombados, ridicularizados publicamente, e pelos que se entregam a futilidades e vaidades, desperdiçando seu futuro. Sofro por aqueles que me reijeitam e sofro por ser rejeitada, em amor.
Nisso tudo, espero, creio, anseio, estar me tornando mais semelhante a Ele. Sim, porque ouso dizer que, nesses sofrimentos, eu e você, nos assemelhamos mais a Ele. Afinal, não foi isso que Ele fez e não é isso que Ele faz? Ele sofre porque somos ridicularizados, porque estamos desempregados, porque estamos descontentes,porque nos distanciamos e porque é rejeitado por nós, mesmo nos amando.
E mais do que isso ouso dizer que esses sofrimentos nos aproximam dEle, pondo-me a mim e a você em posição de conversarmos e nos relacionarmos melhor com Ele. Porque, afinal, existe verdadeiro diálogo com alguém que não viveu experiências semelhantes às suas, com alguém que não é, em todos sentidos, semelhante a você?

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Sobre a excelência

Durante esse feriado meu cunhado ficou doente e teve que ser levado ao hospital para tomar soro e ser medicado. No hospital ele ficou algumas horas e teve contato com enfermeiras que iam ao quarto medicá-lo. Graças a Deus, quem ficou doente foi ele, uma pessoa simples e que, além disso, não se importa em ser internado. Digo isso porque segundo minha irmã, sua esposa, ele foi extremamente mal tratado onde mais bem tratado deveria ser. As enfermeiras entravam no quarto sem dizer "Bom dia" e sem explicar o que aplicariam nele.
Daí eu comecei a pensar nisso, nessas enfermeiras. E não só nelas. Penso também nos advogados que perdem prazos vitais a seus clientes, nos políticos que renunciam para serem eleitos de novo, mesmo em meio a tanta corrupção, nas secretárias que desligam os telefones em nossas caras, nos motoristas que causam acidentes e fecham portas em passageiros de ônibus, nas babás que espancam crianças. Penso em mim, que por vezes, contento-me em passar o tempo com meus alunos sem de fato ensiná-los.
Engraçado que quando uma coisa dessas acontece comigo eu sempre me indigno e argumento: "Custa ser educado?" "Custa fazer um pouco melhor?" E no entanto, nessas horas, facilmente me esqueço, que eu também, muitos dias e horas, não faço meu melhor.
E ao me deparar com essa amarga realidade, deparo-me com as palavras do apóstolo, para fazermos tudo com excelência, como para o Senhor, e não para homens. Lembro-me de José do Egito que mergulhado em misérias e tendo todas as desculpas necessárias e plausíveis para deixar de ser excelente, não o fez. Penso em Paulo, o mesmo apóstolo. Penso na Dra. Zilda Arns e em tantos outros humanos que não se contentaram com nada menos que a excelência. E algo os conecta: o chamado de Jesus.
Jesus nos chamou a sermos excelentes naquilo que fazemos. Ele nos ordenou que buscássemos a perfeição. E nos ordenou a amarmos a Ele mais que a todas as outras coisas e a nossos irmãos como a nós mesmos. Assim, creio que só em Cristo e por meio dEle somos capacitados a viver uma vida de excelência. Apenas tendo fé em uma vida além dessa e fé em algo menos que o eu enocntramos motivação e alegria em fazer sempre o melhor, o nosso melhor.
Volto a me lembrar daquelas primeiras pessoas, os amigos da enfermeira, lembram? Então... eu vejo em todos eles motivações egoístas para prosseguir. Vejo neles um servir inferior porque não amam o que fazem e porque o fazem, muito provavelmente, por dinheiro, a raiz de todos os males. Vivendo assim, e trabalhando assim, não vejo como fazer nada com excelência, porque, inevitavelmente, não vemos os resultados de nossos esforços e/ou se os vemos, encontramos também em nossos corações insatisfação e um quê de não vale tanto a pena assim.
Um autor de que gosto muito, em um livro em que fala sobre onde colocamos nosso tesouro, fala de um certo tipo de pessoas que, por puro senso de sobrevivência, se dedicam a um estilo de vida comprometido com o próximo tanto em suas vidas pessoais quanto em suas nações. Essas pessoas, diz o autor, descobriram que uma vida centrada no eu causa doenças, acaba com a alegria e fomenta neuroses. Poderia haver algo mais de verdade? Eu acrescento que a vida centrada no eu milita contra a perfeição e contra a excelência. Por quê? Porque, centrados em nós mesmos, estamos sujeitos a nosso coração enganoso e a nossas mudanças de humor e a nossas variações de prioridades. Centrados em nós mesmos, colocamos baixo preço, monetarizado, naquilo que fazemos e em quem somos.
Assim, eu, agora, só vejo um caminho para a excelência: abandonarmos o eu e nos apegarmos aos mandamentos de Deus e aos exemplos de apóstolos, servos e profetas.
Se você conhece algum outro caminho, me ilumine e me ajude a achar a excelência do meu ser.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Um ano novo nasce

Já se passaram 25 dias desde que começamos um novo ano e parece que a alma só agora se acostuma a isso, por isso só agora ela se manifesta no novo ano. Alma preguiçosa,fugitiva das realidades. Alma tardia, mas viva. Ela pensa o ano novo e ele vive.
Um grande sábio, em seus dias de tristeza disse que não há nada novo debaixo do céu. Disse que os anos são todos cheios das mesmas coisas, dos mesmos desastres, frustrações, alegrias,cheios de sonhos e de decepções, cheios de guerras e de paz, bem como os dias. Era sábio, estava certo, pode-se sim encarar o ano novo com essas lentes, olhos de um ser humano frustrado e triste.
A isso me recuso nesse momento, mesmo diante de terremotos, de mortes, de vidas, de esperas, tudo igual, sem novidade.
Outro sábio, mais alegre com a vida e mais esperançoso disse que as misericórdias de Deus se renovam todos as manhãs sobre nós, humanos, e sobre a Universo criado. Ao se renovarem as misericórdias de Deus, se renovam nossos dias, nosso ano, nossos olhos, mesmo diante das mesmas coisas.
Minha alma se alinha mais a esse sábio nesses 25 dias passados da virada do ano.Vê dias ensolarados e depois dias chuvosos, vê cores que nunca viu, sonhos que nunca sonhou, viagens que nunca planejou. Ela vê contratos que antes não existiam agora fechados e nascimentos de pessoas singulares por chegar. Minha alma respira cheiros orientais, espera por bebês que lhe serão íntimos como sangue de seu sangue,chora friezas egoístas...
Mas em tudo isso, ela vê,espera e vive um ano novo, renovado, inusitado e por isso único pra si e pra humanidade. A alma, mesmo preguiçosa, experimenta diária e anualmente o amor que não a deixa se consumir, o amor que não a deixa ser a mesma e fazer do ano novo, um mesmo ano.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Paciência

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára...

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...

A vida não pára...

domingo, 20 de setembro de 2009

Em banho maria

Faz tempo demais que não apareço nesse blog. E ele parece estar em coma, ou em banho maria, pra menizar as coisas.
É que os blogs são espelhos dos blogueiros. E se digo que o blog está em coma, devo admitir que eu mesma, como dona, estou em coma.
E talvez dizer banho maria, seja um eufemismo tolo pro coma da alma que dorme, induzida ou naturalmente e pro cérebro também, que não produz, não reflete...
Mas parece que a vida é mesmo assim: tem momentos que ela flutua como um barco num mar de maré mansa, sem uma onda, sem um alto, sem um baixo...
E parece até que isso dá um certo quê de maturidade à existência.Ou de velhice. Afinal, são os bebês, as crianças, os adolescentes e os jovens que se empolgam por tudo e que sofrem exaustivamente por tudo. Os adultos, esses vivem. Vivem as alegrias sabendo que as tristezas chegarão. E as tristezas esperando pelas alegrias. Os adultos entendem que é assim mesmo, que as coisas, os relacionamentos não são como a gente idealiza quando brinca de casinha.
E esse blog anda assim, adulto.
Desde a última postagem, ele não foi promovido e nem demitido. Ele também não encontrou um outro blog pelo qual se apaixonar e nem teve um bloguinho. O blog não foi a nenhum outro lugar tão mágico sobre o qual falar.Esse blog também tem achado chato, demasiadamente chato, falar da vida das pessoas, sejam elas celebridades ou políticos e não anda tendo muito contato com o Dono pra revelar coisas do coração.
Talvez ele, como eu, esteja adulto. Talvez, como Diz, estejamos a ponto ser vomitados.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Mônaco e Cusco

Eu lembro que quando visitei Mônaco o que mais me impressionou foi a geografia daquele país. Fincado ao sul da França, o principado se localiza entre montanhas e o mar. Lembro bem que estávamos em um carro vendo apenas montanhas cobertas por uma vegetação verde escura linda e eu me perguntava, em silêncio, quando chegaríamos em Mônaco. E quando eu menos esperava, chegamos. Eu já não esperava porque Monte Carlo não é vista por qualquer um. Porque é uma cidade que, escondida entre as montanhas, de repente se faz vista e escondida entre as montanhas, se esconde e se diferencia do resto do mundo. Mônaco se esconde por ser um dos lugares mais ricos e suntuosos do mundo. Porque lá, as ruas são lavadas, as senhoras passeiam seus cãezinhos em tapetes vermelhos, como nos contos de fada, e porque lá as flores floreiam o ano todo. Se esconde e esconde de si o resto do mundo, onde nem tudo são flores.
Há não tanto tempo atrás visitei uma cidade semelhante, ao sul do mundo.Também me impressionou o fato de que essa cidade foi edificada entre montanhas, que a protegem, a escondem, mas do quê? Acho que as montanhas de Cusco tentam, em vão, esconder o resto do país. É porque quem vai a Cusco, ao centro de Cusco, sente-se na Europa. Na Praça de Armas, as flores floreiam, os pombos comem comida nas mãos dos turistas e as ruas são limpas, quase tão limpas como em Mônaco. Nas ruas centrais de Cusco,também há animais de estimação e só sorrisos.Tudo são flores.
Enquanto Mônaco se esconde ou esconde de si o resto do mundo, Cusco tenta, em vão se esconder e esconder a pobreza do resto do país. Mas Cusco, de tanto ser ao sul, não consegue e tem, em si mesma, a pobreza, a sujeira e a doença que se esconde por trás dos morros. Lá, eles não foram tão eficientes em se isolar. O mal entrou. Mas a beleza permanece. E quem tem olhos pra ver, que veja!