quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
2010 em algumas palavras
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Chuva e Sol
Lembro-me de um episódio de FRIENDS em que a personagem Mônica,estereótipo de competição, obssessão e compulsão,decide tornar sua casa o melhor lugar para os 6 amigos se reunirem. Para isso, ela limpa a casa toda com exímia dedicação, a decora e faz comidas deliciosas.Mas Monica, de tão cansada e exaurida, cai no sofá e dorme, sem desfrutar da companhia deles.
Lembro-me de outra história, de duas irmãs que recebiam um convidado ilustre. Uma delas opta por comunhão enquanto a outra se atarefa na cozinha com os preparativos da recepção.
Nem Mônica nem Marta escolheram a melhor parte.Ambas se perderam no que achavam que era importante e não guardaram forças para o que era de fato importante. Elas duas, por isso, se cansaram.
A vida cansa a gente e a gente se cansa...
Ela traz de repente o inesperado,concretiza possibilidades até então não cogitadas e então, inesperadamente, o seguro torna-se fonte de medo e o inquestionável se faz por quê.Cansaço...
Outras vezes, é a gente que se cansa.A gente que se ocupa em limpar, polir, arear, cozinhar...pra no fim, dormir no vazio do eu.Mais cansaço...
E de tanto cansar, ou com a vida, ou com a gente mesmo, a gente, na hora da festa, deita e não consegue nada, além de dormir.
Vejo-me a mim...exatamente assim...
Sobrecarregada de obssessões e compulsões. Cansada sobretudo, de minhas tentativas conscientes e inconscientes de ter o meu importante e então, me perder.
Exausta de não crer ou de crer na vida que me convém e que não existe. Exausta de temer...
Deito.Me calo.Ouço palavras de vida eterna.Encontro, então, descanso... ou ao menos,relances de uma graça que me descansará.Nem sempre durmo, mas acordo.
E aí, pode até estar chovendo aqui dentro, mas faz sol ao mesmo tempo...
Lembro-me de outra história, de duas irmãs que recebiam um convidado ilustre. Uma delas opta por comunhão enquanto a outra se atarefa na cozinha com os preparativos da recepção.
Nem Mônica nem Marta escolheram a melhor parte.Ambas se perderam no que achavam que era importante e não guardaram forças para o que era de fato importante. Elas duas, por isso, se cansaram.
A vida cansa a gente e a gente se cansa...
Ela traz de repente o inesperado,concretiza possibilidades até então não cogitadas e então, inesperadamente, o seguro torna-se fonte de medo e o inquestionável se faz por quê.Cansaço...
Outras vezes, é a gente que se cansa.A gente que se ocupa em limpar, polir, arear, cozinhar...pra no fim, dormir no vazio do eu.Mais cansaço...
E de tanto cansar, ou com a vida, ou com a gente mesmo, a gente, na hora da festa, deita e não consegue nada, além de dormir.
Vejo-me a mim...exatamente assim...
Sobrecarregada de obssessões e compulsões. Cansada sobretudo, de minhas tentativas conscientes e inconscientes de ter o meu importante e então, me perder.
Exausta de não crer ou de crer na vida que me convém e que não existe. Exausta de temer...
Deito.Me calo.Ouço palavras de vida eterna.Encontro, então, descanso... ou ao menos,relances de uma graça que me descansará.Nem sempre durmo, mas acordo.
E aí, pode até estar chovendo aqui dentro, mas faz sol ao mesmo tempo...
sábado, 11 de dezembro de 2010
A esposa mais completa
Uma boa esposa tem dentro de si uma diversidade de pessoas.Incrível o quanto H significava para mim.Ela era minha filha e minha mãe, minha aluna e minha professora,minha subordinada e minha chefe.Era minha camarada confidente,amiga,companheira;tudo isso misturado.Minha amante, mas ao mesmo tempo tudo que qualquer amigo (e tenho excelentes amigos) jamais foi para mim.Quem sabe até mais. Se não tivéssemos nos apaixonado ainda assim ficaríamos sempre juntos-o que seria um escândalo.Foi isso que quis dizer quando a elogiei uma vez por suas virtudes masculinas.Mas ela logo foi dando um basta nisso, perguntando como eu me sentiria se elogiasse minhas virtudes femininas. Esse foi um belo contragolpe,querida.
[...]
Salomão chegou a chamar a sua noiva de irmã. Poderia uma mulher ser uma esposa completa, sem que,num momento específico de bom humor, um homem se sinta inclinado a chamá-la de "irmão"?
Esse é um trecho do livro "A grief observed", de C. S. Lewis, em que ele lamenta a perda de sua esposa Joy. Li outro dia e lembrei-me de muitas coisas: de uns diálogos, de uma amiga. Não há muito o que acrescentar. Apenas minha alegria por provar-me ao mesmo tempo errada e certa. Errada por ver que um homem pode amar uma mulher como mulher e como amigo ao mesmo tempo, o que antes me confundia e incomodava. Certa por ver que, acima de tudo, um casamento deve ser uma amizade simultaneamente profunda e boba, o que sempre quis pra mim.
Lembro-me de outra citação a esse respeito, não me lembro de quem, que dizia o seguinte:"Case-se com uma pessoa com quem você goste muito de conversar, porque depois de uns anos o sexo acaba e o que resta é a amizade."
C.S. Lewis um dia foi agraciado pela presença e companhia de sua esposa-amiga, a quem carinhosamente chamava Joy, ou alegria.Quero eu receber tamanho presente também: de ter e de ser joy!
[...]
Salomão chegou a chamar a sua noiva de irmã. Poderia uma mulher ser uma esposa completa, sem que,num momento específico de bom humor, um homem se sinta inclinado a chamá-la de "irmão"?
Esse é um trecho do livro "A grief observed", de C. S. Lewis, em que ele lamenta a perda de sua esposa Joy. Li outro dia e lembrei-me de muitas coisas: de uns diálogos, de uma amiga. Não há muito o que acrescentar. Apenas minha alegria por provar-me ao mesmo tempo errada e certa. Errada por ver que um homem pode amar uma mulher como mulher e como amigo ao mesmo tempo, o que antes me confundia e incomodava. Certa por ver que, acima de tudo, um casamento deve ser uma amizade simultaneamente profunda e boba, o que sempre quis pra mim.
Lembro-me de outra citação a esse respeito, não me lembro de quem, que dizia o seguinte:"Case-se com uma pessoa com quem você goste muito de conversar, porque depois de uns anos o sexo acaba e o que resta é a amizade."
C.S. Lewis um dia foi agraciado pela presença e companhia de sua esposa-amiga, a quem carinhosamente chamava Joy, ou alegria.Quero eu receber tamanho presente também: de ter e de ser joy!
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Onde Deus está
Hoje me deu vontade de escrever aqui.Vontade da falta de sono que me faz refletir e sonhar. Reflito sobre a presença de Deus, sua voz, seus movimentos.E parece-me que muito frequentemente a gente procura Deus nas coisas e lugares errados. A gente acha que Ele se manifesta num sonho, numa visão, numa profecia e num milagre de cura.E isso é sim verdade.Jesus, homem-Deus, se manifestou assim. Mas Ele se revelou também de muitas outras formas. Se revelou, especialmente, na comunhão, na simplicidade, na conversa no monte com os discípulos, no escrever na areia enquanto difamavam a prostituta, no chorar ao ouvir da morte de Lázaro e no chamar Zaqueu para descer da árvore para levá-lo para jantar.
A gente que é besta mesmo...e na nossa besteira criamos um ídolo, um deus feito à nossa imagem e à nossa semelhança. E com a mania demoníaca que temos de aparecer, de querer ser vistos e apreciados, achamos que é na casa grande, no carro importado, na companheira de feições globais e na conta bancária de zeros petistas que Ele se manifesta em nós e que se faz ouvir.
Outro dia, conversando com um amigo e depois lendo um livro,aprendi que tudo isso é ilusão e transgressão. O Deus trino bíblico, o Deus Espírito Santo se faz ouvir, sobretudo pelo amor. Pelo amor que tem pelo povo seu e pelo amor que esse povo reflete em seus relacionamentos.Nisso acho que o poeta estava num momento divino ao dizer que o amor é fundamental, pois é impossível ser feliz sozinho. O próprio Deus não é feliz sozinho, porque é amor.O próprio Deus escolheu relacionar-se, e se completar.
É nisso que Ele está!
PS: Esse texto estava guardao há meses. E hoje, pois recorrente, foi publicado!
A gente que é besta mesmo...e na nossa besteira criamos um ídolo, um deus feito à nossa imagem e à nossa semelhança. E com a mania demoníaca que temos de aparecer, de querer ser vistos e apreciados, achamos que é na casa grande, no carro importado, na companheira de feições globais e na conta bancária de zeros petistas que Ele se manifesta em nós e que se faz ouvir.
Outro dia, conversando com um amigo e depois lendo um livro,aprendi que tudo isso é ilusão e transgressão. O Deus trino bíblico, o Deus Espírito Santo se faz ouvir, sobretudo pelo amor. Pelo amor que tem pelo povo seu e pelo amor que esse povo reflete em seus relacionamentos.Nisso acho que o poeta estava num momento divino ao dizer que o amor é fundamental, pois é impossível ser feliz sozinho. O próprio Deus não é feliz sozinho, porque é amor.O próprio Deus escolheu relacionar-se, e se completar.
É nisso que Ele está!
PS: Esse texto estava guardao há meses. E hoje, pois recorrente, foi publicado!
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Dez motivos para se querer morar em São Paulo
1) A Nota Fiscal Paulista;
2) As auto estradas, mesmo que com pedágios;
3) O SEM PARAR das auto estradas;
4) A lei "é proibino fumar em lugares públicos fechados" e o adesivo com o símbolo do estado para divulgá-la em todos os estabelecimentos comerciais;
5) O clima gostoso, apesar das constantes chuvas dessa semana;
6) A vegetação;
7) A Serra do Mar e o litoral ao pé dela;
8) O sotaque, ou melhor, os sotaques;
9) As passagens aéreas internacionais mais baratas;
10) Aquele velho de sempre.
2) As auto estradas, mesmo que com pedágios;
3) O SEM PARAR das auto estradas;
4) A lei "é proibino fumar em lugares públicos fechados" e o adesivo com o símbolo do estado para divulgá-la em todos os estabelecimentos comerciais;
5) O clima gostoso, apesar das constantes chuvas dessa semana;
6) A vegetação;
7) A Serra do Mar e o litoral ao pé dela;
8) O sotaque, ou melhor, os sotaques;
9) As passagens aéreas internacionais mais baratas;
10) Aquele velho de sempre.
terça-feira, 1 de junho de 2010
Consagração
Seja o meu canto
Para sempre só pra te louvar.
Seja tão somente, eternamente pra te adorar
Que ele seja o recado
Que Tu tens hoje aqui pra dar
Mas possa eu trazer na mente
Que Tu és quem o dá
Seja minha vida
Um padrão naquilo que eu falar
No procedimento um exemplo aos fiéis levar
Na pureza grande e também
Na fé e no amor
Mas possa eu lembrar-me sempre
Que dependo de Ti, Senhor
Lembrei dessa música e tentei achar um vídeo bom para divulgá-la por sua beleza e profundidade. Não achei(achei esse aqui http://www.youtube.com/watch?v=cqvl_xMS4NE), por isso transcrevi a letra. Que ela seja sua oração em algum ponto da sua vida!
Para sempre só pra te louvar.
Seja tão somente, eternamente pra te adorar
Que ele seja o recado
Que Tu tens hoje aqui pra dar
Mas possa eu trazer na mente
Que Tu és quem o dá
Seja minha vida
Um padrão naquilo que eu falar
No procedimento um exemplo aos fiéis levar
Na pureza grande e também
Na fé e no amor
Mas possa eu lembrar-me sempre
Que dependo de Ti, Senhor
Lembrei dessa música e tentei achar um vídeo bom para divulgá-la por sua beleza e profundidade. Não achei(achei esse aqui http://www.youtube.com/watch?v=cqvl_xMS4NE), por isso transcrevi a letra. Que ela seja sua oração em algum ponto da sua vida!
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Amar ao próximo é redundância
Aqui em Goiás, sempre que uma pessoa diz amar outra, ela ouve a seguinte pergunta: Já comeu um quilo de sal com ela, pra dizer que a ama? Não sei, na verdade, se essa é uma expressão goiana apenas, nem sei suas origens, mas sei seu significado.
Pense no sal.É preciso uma pequena dose dele para temperar uma comida e deixá-la saborosa. Assim,mesmo nos hábitos do brasileiro,em que as comidas são mais temperadas que em outras partes do mundo, um quilo de sal dura muito, muito tempo. Imagine, então, em uma outra cultura...
Assim, comer um quilo de sal com uma pessoa significa conviver com ela o tempo gasto para se consumir um quilo de sal, ou seja, muito tempo. Comer um quilo de sal com uma pessoa significa tornar-se íntimo e próximo dela.Esta, é, então, uma compreensão verdadeira:a de que só podemos dizer que amamos alguém, depois de convivermos muito tempo próximo desse alguém.
Aqui em Goiás, existe ainda, enraizado na cultura e na ética um mandamento que, na verdade, permeia várias sociedades, sejam elas ocidentais ou orientais:Amar ao próximo como a si mesmo.O próximo, nessa ordem, pode e tem sido interpretado como o semelhante humano, seja ele quem for. Sendo ser humano é próximo.Tem sua lógica, tem sua razão.
Contudo,concordo com Rubem Alves que diz que Jesus nos mandou amar ao próximo, porque amar ao distante é muito fácil.Ou seja, só estando próximo de alguém, nos tornaremos íntimos e poderemos conhecê-lo verdadeiramente,amá-lo verdadeiramente.
O dito goiano do sal faz eco...
Ser próximo, semelhante a um ser, vai muito além da igualdade de características biológicas e de processos bioquímicos. Só estando perto, vive-se a vida e a morte em conjunto. É estando próximo, próximo até demais às vezes, que se experimenta a podridão humana comum, seja ela física ou moral ou intelectual. É estando próximo que, igualmente, se experimentam a vida, o brilho, os aromas de ser humano comuns.
Sobre aquele que está distante, geralmente, construimos fantasias e ilusões. Não o vemos face a face. Não sentimos seu hálito. Não vemos seus sorrisos, suas rugas, suas lágrimas, seus emburros.E se algum dia vimos, a memória se esvai...
Daquele que está longe nutrimos, no máximo, uma compreensão do ser, um carinho descompromissado, uma admiração distorcida que beira à fantasia. Amar de verdade, no mais profundo sentido da palavra, só é possível de quem se está próximo. Amar ao próximo é, em última instância, redundância.
Pense no sal.É preciso uma pequena dose dele para temperar uma comida e deixá-la saborosa. Assim,mesmo nos hábitos do brasileiro,em que as comidas são mais temperadas que em outras partes do mundo, um quilo de sal dura muito, muito tempo. Imagine, então, em uma outra cultura...
Assim, comer um quilo de sal com uma pessoa significa conviver com ela o tempo gasto para se consumir um quilo de sal, ou seja, muito tempo. Comer um quilo de sal com uma pessoa significa tornar-se íntimo e próximo dela.Esta, é, então, uma compreensão verdadeira:a de que só podemos dizer que amamos alguém, depois de convivermos muito tempo próximo desse alguém.
Aqui em Goiás, existe ainda, enraizado na cultura e na ética um mandamento que, na verdade, permeia várias sociedades, sejam elas ocidentais ou orientais:Amar ao próximo como a si mesmo.O próximo, nessa ordem, pode e tem sido interpretado como o semelhante humano, seja ele quem for. Sendo ser humano é próximo.Tem sua lógica, tem sua razão.
Contudo,concordo com Rubem Alves que diz que Jesus nos mandou amar ao próximo, porque amar ao distante é muito fácil.Ou seja, só estando próximo de alguém, nos tornaremos íntimos e poderemos conhecê-lo verdadeiramente,amá-lo verdadeiramente.
O dito goiano do sal faz eco...
Ser próximo, semelhante a um ser, vai muito além da igualdade de características biológicas e de processos bioquímicos. Só estando perto, vive-se a vida e a morte em conjunto. É estando próximo, próximo até demais às vezes, que se experimenta a podridão humana comum, seja ela física ou moral ou intelectual. É estando próximo que, igualmente, se experimentam a vida, o brilho, os aromas de ser humano comuns.
Sobre aquele que está distante, geralmente, construimos fantasias e ilusões. Não o vemos face a face. Não sentimos seu hálito. Não vemos seus sorrisos, suas rugas, suas lágrimas, seus emburros.E se algum dia vimos, a memória se esvai...
Daquele que está longe nutrimos, no máximo, uma compreensão do ser, um carinho descompromissado, uma admiração distorcida que beira à fantasia. Amar de verdade, no mais profundo sentido da palavra, só é possível de quem se está próximo. Amar ao próximo é, em última instância, redundância.
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